segunda-feira, 4 de abril de 2011

Foi então que ela se afogou no rio em que se formou de suas próprias lágrimas
Despreocupada, saiu de casa sem rumo, não havia motivos pra ficar ali, ninguém estava ali, pelo menos ninguém que ela quisesse que estivese ali. Dobrando a esquina daquele velho bar amarelo, que sempre tem um velho bebendo wisky com bolinhas brancas, viu seus amigos, na verdade ela não viu, ela é miope, mal encherga seus pés e tropeçar em vultos era sua característica mais forte. Mas ela não queria ir com eles, é sempre a mesma coisa, cigarros, vodka e alguma música que todos amam, e ela odeia. Queria ficar só, apenas com seus gnomos e seus cachorros de rua, adotados um a um e nomeados, ficou sentada ali mesmo no cordão da calçada, e ela não tinha ninguém, e ela tinha tudo, tudo que ela quisesse. Era só mais um fim de tarde frio e vento ao lado daquela porra de igreja mexicana, pediu a um violeiro que tocasse 'regina let's go, o violeiro vendo as pupilas dilatadas da moça, viu foi até sua namorada, e disse 'Ei regina a donde estás vamo-nos!!!E era só mais uma overdose, só que agora ela trabalhava, e tinha que  acordar tarde pra começar seu serviço logo tarde, S + S, e já passavam das quatro, mas ela nem tinha relógio, e também não importava, ela não enchergava, viu só a si mesma, deitada numa cama suja e branca, e ela não queria mais ficar ali. A luz vinha vindo tão forte, e tão lenta, e um chiado insuportável, onde entes habitava sua cabeça. Eu não vi nada disso, só estava junto quando acordou, em casa e chorando, e dizendo, 'eu te amo muito mãe, obrigado por tudo, não sei porque fiz isso, não se preocupe, essa cicatrizes vão sumir, e farei uma tattoagem em homenagem a você. O tubo de oxigênio se desprendeu, todos estavam dormindo, e ela...ela morreu.Foi ai então que ela se afogou no rio que se formou durante sua vida, e se afogava em mágoas, mentiras, e dissabores, ela se afogou em um rio que se formou de suas próprias lágrimas.

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