Ícaro segue rumo ao sol, mas não pode confiar em suas asas.
Trancado numa caixa de fósforo, e não é uma caixa de fósforos qualquer. É a de um fumante, ele acende um cigarro a cada minuto, odeio esse barulho, pior que microfonia. Não tenho chance de fugir, o safado guarda os palitos no bolso, não abre a caixa. A cada fósforo aceso meu ouvido tem o tímpano estourado, todos acham domingo chato, eu não, domingo ele fica com a família e não pode fumar. Ele sente falta, sinto olhando para caixa. Será que ele sabe que estou aqui? Será que ele sabe que existo?
Sei que algum dia a ele irá colocar o caixa fora e nada da minha vida aparecer, nada da luz do sol, não serei visto, me colocarão junto com o lixo orgânico? o que farão?
Meu nome é Ícaro, me ajudem, tirem o cigarro dele, queimem o cigarro dele, pois a fumaça sépia cobre as flores.
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